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Matéria de capa › 17/12/2018

Evangelizar, partindo de Cristo

A Campanha para a Evangelização, promovida todos os anos pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) durante o Advento, tem o objetivo de promover a participação sempre maior e mais eficaz na obra da evangelização, que é a própria razão de ser e de existir da Igreja. A Igreja existe para evangelizar, e todos os seus membros, a partir do Batismo, são participantes dessa obra.

Antes de sua ascensão ao céu, Jesus Cristo enviou a Igreja, na pessoa dos Apóstolos, para proclamar o Evangelho “a todas as nações” e “a todas as criaturas”. O objetivo da evangelização é tornar conhecida e acolhida a Boa Nova da salvação, e esse objetivo é alcançado quando as pessoas se voltam ao Evangelho e convertem suas vidas aos apelos e propostas do Evangelho, vivendo em comunhão com Deus.

A Igreja evangeliza de muitos modos, quer anunciando explicitamente o Evangelho, quer celebrando sua fé na Liturgia, quer ainda testemunhando a “vida nova” que vem do Evangelho do Reino de Deus mediante as obras que brotam da fé. Cada filho da Igreja deve ser um evangelizador, na alegria da fé e no seguimento de Jesus Cristo. Os cristãos leigos e leigas desempenham um papel importantíssimo na obra evangelizadora da Igreja, vivendo sua profissão ou responsabilidade social de maneira coerente com o Evangelho. As famílias cristãs evangelizam quando transmitem a fé às novas gerações e vivem de maneira cristã. Elas devem fazer a primeira iniciação à vida cristã dos filhos.

O lema da Campanha para a Evangelização deste ano – “Evangelizar, partindo de Cristo” – indica o ponto de referência de toda ação evangelizadora da Igreja: Jesus Cristo, Filho de Deus Salvador. Mais de uma vez, o Papa Francisco já tem dito que a Igreja não é uma “ONG do bem”. Ela, certamente, deve realizar muito bem, mas sua diferença com uma ONG é que a Igreja não tem seu centro numa ideia ou numa doutrina, por boa que seja: no centro da Igreja está Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador e Mediador entre Deus e o homem. Ela é a comunidade dos discípulos unidos a Cristo, atraídos e fascinados por Ele e conduzidos ao reino de Deus Pai por meio dele.

Por isso mesmo, a evangelização retorna sempre a esse seu ponto de partida e referência. São Paulo recorda que não temos outro fundamento para nossa fé e para a vida da Igreja que não seja Jesus Cristo, Filho de Deus e revelador de Deus ao mundo. Qualquer outro fundamento não seria sólido e poderia levar a Igreja à ruína. Se a Igreja de Cristo, depois de dois milênios, está viva e operosa, é por causa desse fundamento inabalável de sua fé e de sua vida. Os tempos passam, as culturas e os costumes mudam, mas o fundamento permanece o mesmo.

Em nossos dias, a Igreja está realizando um grande esforço para “partir novamente de Cristo”, como
tem feito muitas vezes ao longo da História. Ela não possui seu fundamento em si mesma; o Papa tem dito que a Igreja não é “autorreferencial”, mas referida a Cristo. Da mesma forma, as organizações e instituições eclesiais não possuem sua referência em si mesmas, nem em algum sistema cultural ou ideológico, mas em Jesus Cristo, “autor e consumador de nossa fé”. A Ele, devemos voltar-nos continuamente para voltar aos fundamentos da nossa fé e da razão de ser de nossa prática evangelizadora e eclesial.

A Campanha para a Evangelização ajuda-nos a ter consciência sobre nosso dever de evangelizar e sobre aquilo que é fundamental na obra evangelizadora, que parte da fé e leva à fé. Sem esse pressuposto, poderíamos fazer muito movimento, mas com pouco efeito. A vida e o exemplo dos santos foram e continuam sendo evangelizadores porque estavam centrados em Deus. Mais do que “levar Deus” às pessoas, os santos atraíram as pessoas para Deus e as ajudaram a encontrar e aceitar Deus em suas vidas e em sua história. O Papa Bento XVI ensinou que a Igreja “evangeliza por atração”, ou seja, testemunhando a beleza e a riqueza do encontro com Deus por meio de Jesus Cristo e pelo testemunho da vida santa.

No 3º Domingo do Advento, 16 de dezembro, é feita a coleta para apoiar a evangelização na arquidiocese de São Paulo e em todo o Brasil. Com a generosa ajuda material de todos, a Igreja pode continuar e aprofundar sua obra evangelizadora.

Cardeal Odilo Pedro Scherer
Arcebispo Metropolitano de São Paulo
Publicado em O SÃO PAULO, na edição de 12/12/2018 via http://arquisp.org.br