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Matéria de capa › 07/03/2019

Convertei-vos!

Com a Quarta-Feira de Cinzas iniciamos o tempo litúrgico da Quaresma deste ano, em preparação à celebração da Páscoa. Já no primeiro dia da Quaresma ressoa o apelo à conversão e à penitência, que são práticas centrais da preparação para a Páscoa. “Convertei-vos e crede no Evangelho!” (Mc 1,15): são estas as palavras de Jesus, logo no início da sua vida pública e da pregação do Evangelho.

Atraídos por muitas distrações e tentações ao longo da vida, somos levados a perder de vista o principal e o mais valioso da existência: o reino de Deus e todos os bens que ele nos traz. Somos tentados a trocar Deus pelas coisas e nos apegamos a bens que não merecem toda essa dedicação, a ponto de deixar Deus e seu reino em plano secundário.

O apelo à conversão e a crer no Evangelho serve para voltarmos nossa atenção para o que tem valor maior e mais definitivo; o resto, mesmo sendo bom, deve ser ordenado e colocado no seu devido lugar na nossa vida. Ao longo da Quaresma somos chamados a nos convertermos a um estilo de vida, a comportamentos e práticas condizentes com a nossa vocação cristã, recebida no Batismo. Converter-se significa buscar em tudo a vontade de Deus e aderir a ela com alegria e generosidade.

Durante a Quaresma, vivamos intensamente as práticas próprias desse “tempo favorável” para a revisão de vida e a conversão ao Evangelho. São três os principais “exercícios da Quaresma” indicados pela Igreja: o jejum, a esmola e a oração. O jejum nos educa a buscar o “alimento que dura para a vida eterna” (cf Jo 6,27). Quantas coisas inúteis consumimos! Quanto veneno é consumido todos os dias através de espetáculos e distrações que fazem mais mal que bem! O jejum nos ajuda a percebermos que “não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4,4).

A prática da “esmola” refere-se às obras de misericórdia e a todas as formas de caridade, que devemos praticar intensamente ao longo de toda a vida. Seremos julgados, um dia, pela lei do amor e da misericórdia. E a prática da oração nos educa para cultivarmos a comunhão e a sintonia com Deus. Ouvir Deus e falar com Deus – isso nos ajuda a viver bem e evita que nos tornemos o centro do mundo… Deus é Senhor, e não nós mesmos!

Durante a Quaresma, a Campanha da Fraternidade nos ajuda a sermos concretos e efetivos nos exercícios de conversão. A fraternidade, como expressão de justiça e caridade, precisa ser vivida nas suas diversas dimensões: interpessoal, familiar, comunitária, social, econômica, política, cultural e espiritual. Vivamos, pois, de maneira intensa a Quaresma, como caminho de conversão e renovação cristã, em preparação à celebração da Páscoa. Façamos esse caminho de maneira pessoal e comunitária e Deus nos abençoará com muitos frutos de vida nova.

Cardeal Odilo Pedro Scherer
Arcebispo Metropolitano de São Paulo
Publicado em 06/03/2019 via Arquidiocese de São Paulo