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Matéria de capa › 03/09/2018

A catequese não pode falhar

Na última semana de agosto, está em destaque a vocação dos cristãos leigos e as muitas maneiras como eles participam da vida e da missão da Igreja. A Igreja é formada por um imenso “povo de batizados”, um “povo de vocacionados”, em que cada um recebeu de Deus um dom para o seu próprio proveito, mas também para o proveito da Igreja inteira. Recebemos os dons em função de missões que devemos cumprir.

Dois são os vastos campos da vida e da missão da Igreja onde os leigos são chamados a participar: na vida interna da Igreja, eles exercem diversos ministérios não ordenados e também partilham, com o clero, as responsabilidades pelo anúncio do Evangelho, a organização dos vários serviços nas comunidades e o testemunho da vida cristã.

O outro vastíssimo campo da missão dos leigos é o “mundo secular”, onde eles são cidadãos ao lado dos demais cidadãos, encarregados de promover a “obra boa” em relação à vida familiar e matrimonial, à educação, à cultura e ao trabalho profissional, às responsabilidades públicas e políticas. Os leigos são mensageiros do Evangelho pela palavra, a ação e o testemunho nos ambientes do “mundo”, onde a Igreja não está presente como instituição.

Os cristãos leigos têm a missão, em nome da Igreja, de edificar o mundo conforme o reino de Deus. Em todas as instâncias da vida e da atividade humana em que estão inseridos, eles devem fazer levar a luz, o sal e o fermento do Evangelho de Cristo. São testemunhas de Deus e ajudam as pessoas a se encaminharem para Deus. E cabelhes a missão nada fácil de fazer a síntese entre a fé professada e a vida de cada dia.

Entre os leigos que desempenham serviços na vida interna da Igreja lembramos especialmente os catequistas. Eles têm a missão de ajudar os irmãos na iniciação à vida cristã e na fé da Igreja Católica. São pedagogos da fé, que ajudam crianças, adolescentes, jovens e adultos a conhecerem os mistérios da fé e da vida cristã e os introduzem, pouco a pouco, na vida da comunidade eclesial.

A fé e a vida cristã despertam do encontro com Deus e com Jesus Cristo Salvador e, por isso, a ação dos catequistas tem o objetivo de ajudar as pessoas a terem esse encontro com Deus através do conhecimento das verdades da fé e através da prática cristã. Os catequistas ajudam a fazer a experiência da fé vivida, conforme o convite do salmo: “provai e vede como o Senhor é bom!” (Sl 33/34).

A catequese é um aspecto fundamental da evangelização e não pode faltar em nenhuma paróquia ou comunidade cristã. Ela possui diversos momentos, que vão do “primeiro anúncio”, ou querigma, ao aprofundamento do conhecimento e da adesão de fé, e deve levar à maturidade da fé, que se traduz na vida cristã coerente e na prática das virtudes e das bem-aventuranças. De fato, a catequese continua ao longo de toda a vida e requer sempre novos aprofundamentos diante das situações e circunstâncias novas da vida.

A boa catequese não pode ater-se apenas ao conhecimento intelectual da fé e da religião, mas precisa ser orientada necessariamente à prática da vida cristã: deve levar à oração, nas suas múltiplas formas; à vida moral coerente com os mandamentos de Deus e com os ensinamentos de Jesus; deve levar à prática das virtudes, à vida honesta e ao envolvimento social para a edificação do mundo “conforme Deus”. A catequese deve também levar à participação ativa e generosa na vida e na missão da comunidade cristã. O caminho da catequese não pode deixar de ser um caminho paciente e perseverante de inserção na comunidade eclesial, onde os católicos se sentem como em sua casa e em sua família. Por isso, a catequese não pode deixar de apresentar uma boa e correta visão da Igreja de Cristo, da qual os catequizandos também são parte e devem sentir-se participantes. A catequese seria muito incompleta se não conseguisse transmitir também um amor sincero e filial à Igreja.

O sínodo arquidiocesano que estamos realizando deverá fazer uma boa avaliação sobre a situação real da catequese em nossas paróquias e comunidades. A catequese é uma ação prioritária da Igreja e deve merecer o melhor de nossas atenções. Se ela for falha, estaremos colocando seriamente em risco o futuro da evangelização e da transmissão da fé cristã.