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Matéria de capa › 29/10/2018

Sínodo nas paróquias: Qual é a nossa realidade?

Em toda a arquidiocese de São Paulo estão sendo iniciadas as assembleias paroquiais do sínodo arquidiocesano, com três sessões previstas, que devem ser concluídas até o final de novembro. O objetivo principal deste primeiro ano do sínodo é promover uma profunda tomada de consciência e a verificação sobre a situação da nossa Igreja em São Paulo. Como ela se expressa e como ela é percebida nas pessoas que a compõem, nas suas paróquias e comunidades, nas suas múltiplas organizações eclesiais e pastorais?

A preocupação vem da própria natureza da Igreja e daquilo que ela é chamada a ser e a fazer, por vontade de Deus e de Jesus Cristo, seu fundador: anunciar e testemunhar o Evangelho nesta metrópole. A Igreja é chamada a viver vida nova – vida santa -, que decorre da fé em Cristo e no seu Evangelho e da ação do Espírito Santo no coração dos seus membros. A Igreja deve ser sinal do reino de Deus, já presente nesta metrópole e sinal da esperança no reino definitivo. A Igreja está a serviço da missão de Jesus Cristo Salvador neste mundo.

No primeiro ano do sínodo, por meio de muitas ações e iniciativas, mas, sobretudo, por meio das reflexões dos grupos sinodais e dos dois levantamentos realizados em todas as paróquias, procuramos responder às seguintes questões: como a Igreja, na Arquidiocese de São Paulo, está cumprindo sua missão? Estamos “nos olhando no espelho”, com realismo e com o desejo de correspondermos bem à nossa missão? Esse olhar para a realidade é importante para promovermos, em seguida, iniciativas fecundas de “conversão e renovação pastoral”, conforme reza o tema do sínodo.

“Ver a realidade”, com o olhar da fé, e “ouvir o que o Espírito diz à Igreja” (cf Ap.2) são partes fundamentais da atitude que deve acompanhar todo o caminho sinodal. O Espírito Santo nos fala por meio da palavra da Escritura e da Igreja, que deve ser acolhida com abertura de coração durante todo o processo sinodal. Mas também nos fala por meio dos fatos e dos dados da realidade que nos cercam e das situações que a própria Igreja vive. Nosso “ver a realidade” não deverá ser apenas um olhar sociológico, intelectual ou ideológico, mas iluminado pela fé. Não se trata de uma simples apresentação de dados, de promover debates e análises: o sínodo, acompanhado de muita oração ao Espírito Santo e de escuta da Palavra de Deus, é uma celebração, mediante a qual queremos chegar às conclusões e compromissos que a fé nos inspira.

Nas assembleias paroquiais serão apresentados os resultados dos dois levantamentos: a) sobre a situação religiosa e pastoral da Arquidiocese, nas suas paróquias e comunidades (pesquisa de campo); b) sobre a vida e a organização paroquial propriamente ditas. Esses dois levantamentos oferecem uma riqueza muito grande de dados, que precisam ser interpretados, compreendidos e relacionados. As perguntas feitas às pessoas entrevistadas referem- -se, de maneira criativa, ao exercício das três grandes missões da Igreja: anúncio, celebração e testemunho. E as respostas recolhidas ajudarão a perceber os acertos e as falhas na evangelização, em questões muito concretas.

A interpretação dos dados levantados ajudará a perceber qual é o perfil das pessoas que frequentam a Igreja e quais outras deixaram de frequentá-la; permitirá conhecer aquilo que mais ajuda as pessoas a perseverarem na fé e na prática da vida cristã; e ajudará a perceber onde há lacunas na evangelização e onde a Igreja precisa estar mais atenta na sua missão. Por outro lado, os dados levantados mostrarão quais são os métodos que oferecem melhores resultados na evangelização e que devem, por isso mesmo, ser valorizados de maneira especial. A partir da análise dos resultados dos levantamentos, será possível chegar a conclusões sobre as iniciativas que ajudam ou atrapalham a ação da Igreja. E o levantamento objetivo sobre a vida paroquial ajudará a perceber a evolução, no decorrer de um determinado período, das tendências presentes na paróquia e onde será preciso rever atitudes pastorais em relação aos serviços de evangelização e de cultivo da vida cristã por meio da Liturgia, dos sacramentos, da catequese, da prática da caridade organizada e da religiosidade popular.

Mesmo que a interpretação dos dados da pesquisa nem sempre seja fácil para todos e requeira a ajuda de peritos, é da máxima importância que as assembleias paroquiais se debrucem sobre esses levantamentos, tentando entender as mensagens que eles nos querem transmitir. A boa compreensão da realidade deve ajudar a tomar decisões adequadas em relação à dinâmica da evangelização e da vida eclesial.

Cardeal Odilo Pedro Scherer
Arcebispo Metropolitano de São Paulo
Publicado em O SÃO PAULO, na edição de 24/10/2018