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Artigos, Editorial › 20/09/2017

Sínodo Arquidiocesano: Olhar-se no espelho

No sábado, dia 16 de setembro, foi realizado um primeiro encontro de animadores paroquiais do sínodo. A grande maioria das paróquias enviou ao menos dois paroquianos escolhidos pelo pároco para serem seus colaboradores na organização e animação do sínodo nas paróquias. Alguns elementos importantes da preparação e divulgação do sínodo já foram entregues aos participantes, como um folder com as explicações essenciais sobre o sínodo, o hino e o seu regulamento.

O encontro, conduzido pela Secretaria Executiva e por peritos do sínodo, foi muito bom e deverá ter um efeito multiplicador. De fato, nas comunidades paroquiais, um maior número de animadores sinodais deverá ser preparado ao longo deste ano em vista do efetivo início dos trabalhos sinodais.

Os párocos, ajudados por muitos animadores paroquiais do sínodo, contando com as indicações do Regulamento, precisam agora pensar na organização paroquial da celebração do sínodo, que será aberto em 25 de janeiro de 2018. Os trabalhos deverão ser iniciados, de fato, com um grande encontro arquidiocesano e uma celebração no dia 24 de fevereiro de 2018.

Nas paróquias, em 2018, o primeiro momento do sínodo será de tomada de consciência e de reflexão sobre a vida e a missão da Igreja na realidade paroquial. A paróquia é uma comunidade da Igreja, onde deve acontecer o essencial daquilo que  faz  parte  da própria Igreja. Ela é uma imagem local, perceptível e concreta, daquilo que é a Igreja no seu todo. É comunidade de pessoas, famílias, grupos e instituições eclesiais, comunidade de comunidades, que congrega os discípulos localmente.

Na paróquia, deve acontecer a vida e a missão da Igreja, resumida em três grandes dimensões: anúncio do Evangelho, oração, adoração de Deus; celebração dos mistérios da salvação; e testemunho da vida nova que brota da fé no Evangelho de Cristo e da ação do Espírito Santo.

A  paróquia  deve  promover, de muitas formas e sem cessar, o anúncio do Evangelho. Ela é comunidade evangelizada e evangelizadora, que ouve a Palavra de Deus e se torna sempre mais discípula de Cristo. Ela proclama o Evangelho pela pregação direta, a leitura  e acolhida da Palavra de Deus na Bíblia, a catequese em todos os níveis, os retiros e encontros de formação cristã. A paróquia deve ser, por excelência, “casa da Palavra de Deus”. O sínodo arquidiocesano deverá ajudar a tomar consciência sobre essa primeira razão de ser  de uma paróquia e sobre o modo como isso está acontecendo, ou não acontecendo. Como levar a sério, na vida de cada paróquia, a urgência da boa formação  cristã de cada católico? Como tornar a catequese verdadeiramente eficaz? Como fazer das paróquias verda- deiras comunidades missionárias, “Igrejas em saída”?

A paróquia é também comunidade de oração, que se expressa de múltiplas  maneiras:  adoração a  Deus,  pedido  de  perdão,  ação de graças, louvor, intercessão. É   a família de Deus que se encontra com frequência com o Pai, de forma comunitária, pela mediação do Filho e pela ação fecunda do Espírito Santo. A paróquia é o lugar da Liturgia, da celebração dos Sacramentos, sinais da graça da redenção que Cristo nos trouxe. A paróquia é o lugar do cultivo da comunhão com Deus. O sínodo arquidiocesano deverá ajudar a ver se, e como, isso está acontecendo em cada paróquia.

A paróquia também é a comunidade do testemunho da vida nova que vem do Batismo e da conversão à fé cristã. Onde há uma paróquia, deve florescer o testemunho vivo da fé, esperança e caridade, a vida segundo as Bem-Aveturanças do Evangelho e segundo os mandamentos de Deus. A paróquia é comunidade educadora para a vida na fé firme e perseverante, para a esperança atuante e para a caridade concreta e intensa. A paróquia é comunidade educadora para a vida santa, a retidão moral, as relações sociais justas e dignas. A comunidade paroquial deve ser sal, fermento e luz do Evangelho para o ambiente onde ela está. O sínodo arquidiocesano deverá aju- dar a ver como está o testemunho de vida cristã na paróquia.

Ao mesmo tempo que nos recorda o que somos chamados a ser, pela própria vocação e natureza da Igreja, o sínodo arquidiocesano deverá ser uma ocasião para nos olharmos no espelho e perguntar: como estamos? Somos aquilo que deveríamos ser? Que precisamos fazer? É momento de “ouvir o que o Espírito diz à Igreja” (cf. Ap 2).

Cardeal Odilo Pedro Scherer
Arcebispo Metropolitano de São Paulo