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Notícias da paróquia › 18/02/2013

Quaresma: Tempo favorável para servir ao próximo

Assim como Moisés, pelo poder de Deus, libertou o povo hebreu do cativeiro no Egito, Cristo veio para libertar da escravidão do pecado, abrindo as portas do Reino dos Céus para todo aquele que na fé tem a esperança da Ressurreição. Se Moisés, pela desobediência do povo, vagou quarenta anos no deserto até a terra prometida, Cristo, pela obediência, permaneceu por quarenta dias no deserto e “entregou-se até a morte, e morte de cruz”,(Fl 2,9) para a nossa salvação.

Nesses acontecimentos, que pela ocasião da Quaresma se apresentam mais uma vez, renovados pela Igreja à luz do Espírito Santo, nós queremos viver mais intensamente o mistério da salvação da humanidade iniciada pela encarnação do Verbo e completada pela derrota da morte pela Ressurreição do Senhor.

O tempo favorável ao jejum e penitência, iniciado na Quarta-feira de Cinzas, nos convida ao recolhimento interior. A um diálogo mais silencioso com Deus, em que a oração se torna alimento que fortalece o espírito que busca purificar-se para apresentar-se alegre no Domingo de Páscoa.

A penitência não está na transformação das aparências externas em dor e sofrimento, mas em promover o espírito de serviço que evangeliza a partir da oração, do sacrifício interior e da ação, numa atitude de alegria em se levar a Boa Nova.

Nesse intuito, partindo-se das limitações da nossa humanidade, nos animamos a crescer confiantes na graça, que faz com que o sentido da vida cristã supere a todos os sacrifícios humanos na esperança de alcançar, pela misericórdia de Deus, a participação no Seu Reino que como está escrito: “Nem olho viu, nem ouvido ouviu, nem entrou no coração do homem, o que Deus preparou para aqueles que O amam” (1Co 2, 9-10).

Assim, a Quaresma se apresenta como um período de serviço ao próximo, em que o jejum está a promover a abstinência de nossos desejos, e até necessidades, em benefício a dedicamo-nos, com mais vontade, aos demais. De modo livre se busca jejuar na carne os prazeres, ainda que lícitos, para o fortalecimento do espírito. E fazer da nossa penitência atitudes que favoreçam aos mais necessitados, nas suas dificuldades.

Concretamente, o local mais próximo de cada um de nós constitui a família. Portanto, é a partir dela que devemos nos empenhar cada dia para levar aos demais o sentido da Quaresma. Mesmo aos pequenos, que estão desobrigados dos deveres da penitência, participá-los pelo conhecimento da história que estaremos revivendo e comemorando na Páscoa; é uma oportunidade para que esta festa não seja substituída por valores de significado comercial. Aos já crescidos, é um período de estar atento ao desenvolvimento das virtudes, particularmente da generosidade entre os irmãos, partindo do exemplo dos pais. Generosidade esta que atinge o seu ápice na entrega de Cristo na cruz!

O tempo de Quaresma, dessa forma, se reveste de serenidade, em que mediante o perdão oferecido a uma ofensa antiga de um parente ou amigo pode custar mais do que o jejum de dez vezes o prato favorito, mas cuja alegria se torna infinitamente maior. Quaresma, perdão e reconciliação. Nisto deixou Cristo o exemplo, de viver o sacrifício que alegra o coração por nos reconhecermos filhos amados de Deus.

Que Nossa Mãe, corredentora em Cristo, modelo de alegria e serviço mediante o sacrifício silencioso e oculto, nos anime a perseverar nesta Quaresma nos propósitos que fizermos, cada um individualmente, pela morte do pecado, em busca da vitória da graça em Jesus Cristo Ressuscitado.

Por Valdir Reginato
Coordenador da Pastoral da Família na Paróquia Nossa Senhora do Brasil.