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Matéria de capa › 24/09/2018

Paulo VI – Santo

No próximo dia 14 de outubro, serão canonizados o Papa Paulo VI, o Arcebispo mártir salvadorenho Oscar Romero, os padres italianos Francesco Spinelli e Vincenzo Romano, as religiosas Maria Katarina Kasper e Nazária Inácia de Santa Teresa de Jesus e o jovem Núncio Sulprizio.

A canonização acontecerá na Praça de São Pedro, no Vaticano, durante a realização da assembleia do Sínodo dos Bispos com o tema – “juventude, fé e discernimento vocacional”. É de se notar que, entre os que serão proclamados novos “santos” pela Igreja, também está o jovem italiano Núncio Sulprizio, como a indicar a todos os jovens a sua alta vocação: a santidade de vida.

Desejo, neste artigo, centrar especialmente a atenção sobre a figura do Beato Paulo VI. Foi o Papa que melhor conheci desde que entrei no Seminário, em 1963, e aprendi a admirar pela sua extraordinária figura de pastor e teólogo. Antes de ser eleito Papa, o Cardeal João Batista Montini atuou na área diplomática e chegou a ser Secretário de Estado, ao lado de Pio XII; depois, foi Arcebispo de Milão, onde se preocupou com a formação do clero e do povo. Ao seu redor, sobretudo por meio da Ação Católica, formaram-se personalidades destacadas na vida social, cultural e política italiana.

Em 1963, um ano após o início do Concílio Vaticano II, convocado por São João XXIII, Montini foi eleito Papa e assumiu o nome de Paulo VI, em referência ao apóstolo São Paulo, extraordinário missionário e evangelizador do início do Cristianismo. A “nova evangelização” e a implementação das decisões conciliares para a renovação e a revitalização da vida da Igreja seriam suas preocupações constantes. Paulo VI teve o encargo árduo de continuar a conduzir os trabalhos do Concílio Vaticano II até à sua conclusão, em 1965. E teve a missão desafiadora de implementar as decisões conciliares nos anos sucessivos ao Concílio.

O Vaticano II suscitou um dinamismo extraordinário, decorrente das muitas possibilidades que se abriram para renovar a vida da Igreja nas várias direções apontadas em cada um dos Documentos conciliares. É inegável que, na interpretação e viabilização das decisões conciliares, também apareceram, bem depressa, diversas tendências contrastantes entre si e nem sempre condizentes com as indicações conciliares. Coube a Paulo VI a missão de manter a Igreja unida e de indicar a direção justa para a interpretação e implementação do Concílio. Não lhe faltavam perspicácia e segurança teológica para isso. Ao mesmo tempo, sendo um homem de diálogo, procurou evitar rupturas e harmonizar as várias tendências teológicas, sobretudo eclesiológicas.

Grandes atos do seu Magistério foram a promulgação e publicação dos documentos do Concílio Vaticano II, a reintrodução do Diaconato Permanente na Igreja latina, o encontro ecumênico com o Patriarca ortodoxo grego Atenágoras, as encíclicas Humanae vitae, Ecclesiam suam,Populorum progressio e Octogesima Adveniens, a Exortação Apostólica pós-sinodal Evangelii nuntiandi, a promoção da reforma litúrgica pós-conciliar, e a encomenda da revisão do Código de Direito Canônico e do Catecismo da Igreja Católica. Foi o primeiro Papa que fez viagens para fora do Continente Europeu: uma a Jerusalém; uma para a América do Norte, com visita à ONU; uma à América Latina, para a abertura da Conferência Continental do Episcopado em Medellín; uma à África (Nairóbi, Quênia); e uma à Ásia, nas Filipinas.

Paulo VI foi um Pontífice atento aos propósitos do Concílio e procurou incentivar a sua reta interpretação e implementação. Ao mesmo tempo que era um intelectual vigoroso, era também um coração muito sensível e, por isso, sofria com as crises que se abatiam sobre a Igreja pós-conciliar. Seu pontificado atravessou a crise de 1968, com as manifestações estudantis em Paris e que se estenderam por toda parte. Essas, de fato, eram fruto de uma mudança cultural acentuada em curso na sociedade e que também se inseriram na própria Igreja. O Papa Montini tinha clara noção do risco gravíssimo da corrida nuclear e de uma nova guerra, capaz de destruir a humanidade. Por isso, empenhouse na promoção do diálogo entre os povos e seus governantes. Ao mesmo tempo, compreendia que a paz continuava em perigo enquanto não se resolvessem as profundas injustiças sociais e nas relações entre os povos e países.

Paulo VI faleceu em 6 de agosto de 1978. Eu já estava no meu segundo ano de padre… Sua canonização ajuda a destacar a atuação e os merecimentos desse grande servidor de Deus e Pastor da Igreja. Que ele interceda pela Igreja e pela humanidade, hoje e sempre!