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Artigos e reflexões › 18/05/2010

O Rosário: como rezá-lo bem (I)

Uma oração que Nossa Senhora ama

Você reza o Terço? Já viu imagens de Nossa Senhora, representando-a tal como apareceu em Lourdes e em Fátima? Maria está com o terço na mão. Ela acompanhou silenciosamente, passando as contas, o Terço que a menina Bernardete rezava na gruta de Lourdes. E, em Fátima, Ela também com o terço na mão, pediu aos três pastorzinhos que o rezassem todos os dias.

Tomara que algum dia você possa dizer, como o Papa João Paulo II: «O Rosário é a minha oração predileta. Oração maravilhosa! Maravilhosa na simplicidade e na profundidade!».

Mas, para isso, será preciso que comece a rezá-lo e, se já o reza com frequência, que aprenda a rezá-lo cada dia melhor. Vamos ver como podemos fazer isso.

Primeiro, vencer as dificuldades

1) Uma primeira dificuldade: “Não sei rezar o Terço”, “Não conheço os vinte “mistérios” (ou seja, os cinco correspondentes a cada um dos quatro “Terços” que compõem o Rosário), não os sei de cor”. Solução: comprar logo, ou pedir a alguma pessoa amiga, algum folheto ou livrinho de orações (há muitos!) que traga a explicação do Terço: como rezá-lo, quais são os mistérios, que mistérios devem rezar-se nos diferentes dias da semana… É fácil. Pessoas muitíssimo simples aprenderam tudo isso em pouco tempo. Se você “quer”- se “quer” mesmo – não lhes ficará atrás.

Um esclarecimento: a pessoa que reza o Terço sem conhecer ou lembrar os “mistérios” faz, mesmo assim, uma oração válida, ainda que, naturalmente, o Terço fica incompleto (mas é melhor rezá-lo incompleto do que não rezá-lo).

2) Segunda dificuldade: “Não tenho terço”  (o instrumento, o terço material, com as contas, a cruzinha, etc.; ou então o terço em forma de anel, que se usa girando no dedo). Compre-o, que é baratíssimo, e, enquanto não o tiver, conte pelos dedos. Mas tenha em conta que vale a pena usar o terço material: se o seu terço (de contas ou de anel) foi bento por um padre ou diácono, ao usá-lo para rezar você ganha indulgências (Por sinal, você sabia que pode ganhar nada menos que Indulgência Plenária – com as devidas condições -, quando reza o Terço em família, ou comunitariamente, num grupo?).

3) Terceira dificuldade: “Não tenho tempo de rezar o Terço”. Essa desculpa “não gruda”. O Terço pode ser rezado, se for preciso, andando pela rua, fazendo exercício físico de corrida, indo de ônibus, metrô ou trem, guiando carro (melhor do que se irritar com o trânsito), na sala de espera do médico ou do laboratório, em casa, etc. E pode rezá-lo sentado, andando, de joelhos e até deitado (se estiver doente, ou em repouso forçado, etc.).

Por sinal, não sei se sabe que, nas livrarias católicas, vendem CDs com o Rosário, e que também há arquivos audios para player portátil. Basta ligar o audio e ir respondendo ou acompanhando o que ouve.

3) Finalmente, a dificuldade mais comum é a aparente monotonia. “Dizemos sempre a mesma coisa”. “A repetição de tantas Ave-Marias acaba ficando mecânica, cansativa, sem sentido”. “Que adianta fazer uma oração tão repetitiva, que fica rotineira, parece oração de papagaio…”?

Os comentários que faremos a seguir espero que sejam a resposta que dissipe essa dúvidas e objeções. Deus faça que, após tê-las lido e, sobretudo, depois de tentar aplicá-las, você dê a razão às palavras de São Josemaria: «Há monotonia porque falta Amor».

O sentido profundo do Rosário

I. Oração contemplativa

João Paulo II, na sua Carta sobre «O Rosário da Virgem Maria», diz que «recitar o Rosário nada mais é do que contemplar com Maria o rosto de Cristo». Já tinha pensado nisso? Parece curioso! Entende o que quer dizer?

Veja como é fácil de entender. Todos os que rezam o Terço, depois de fazerem o sinal da Cruz e algumas breves orações iniciais (que encontra nos folhetos ou livros de orações antes mencionados), costumam iniciá-lo, dizendo, por exemplo: «Os mistérios que hoje vamos contemplar são os Mistérios da Dor», e, logo a seguir: «Primeiro mistério: A oração de Jesus no Horto de Getsêmani». (Só depois disso é que se reza o Pai-nosso, as dez Ave-Marias e o Glória ao Pai). «Que vamos contemplar», dizemos. Como fazer isso?

1) Uma maneira: Após enunciar o Mistério e antes de começar o Pai-nosso, convém que faça uma “paradinha”, nem que seja de poucos segundos, e que fique imaginando Jesus no Horto, sofrendo agoniado e dizendo ao Pai: «Não se faça a minha vontade e sim a tua». Pense então, como num flash, no exemplo de Jesus e pergunte-se: «Eu sei aceitar a Vontade de Deus?»… Esta é uma boa maneira de contemplar.

2) Outra maneira: Há pessoas que “entram” na cena como mais um personagem. No caso citado, ficam imaginando-se a si mesmas ao lado de Jesus no Horto, e ali – sem sair daquele lugar, pegados a Jesus – vão rezando as Ave-Marias, olhando para Cristo sofredor, banhado no suor de sangue. Pensam, por exemplo: «Como são pequenas as minhas penas, comparadas com as de Jesus», e pedem então a Maria que os ajude a aceitá-las com mais fé e amor. Se, naquele dia, estão abatidos por uma dor, já vão rezar esses Mistérios do Terço com o desejo de achar conforto junto de Jesus nas cenas da sua Dor.

3) São Josemaria fazia assim. Por exemplo, meditando – como explica no seu livroSanto Rosário- o terceiro Mistério de Gozo (Jesus nasce em Belém), imaginava-se pedindo a José que lhe deixasse pegar o Menino nos braços, e lhe dizia: «Rei, Amor, meu Deus, meu Único, meu Tudo!…». E, de modo semelhante, “acompanhando”, no quarto Mistério de Dor, Jesus com a Cruz às costas, dizia: «Olha com que amor se abraça à Cruz. – Aprende com Ele. – Jesus leva a Cruz por ti; tu… leva-a por Jesus».

4) Quero mencionar ainda outro meio de facilitar essa breve contemplação. Existem livrinhos, folhetos, que trazem os Mistérios, e, em cada um deles, além da reprodução de um quadro ou gravura do Mistério, colocam uma frase da Sagrada Escritura e um breve comentário espiritual. É uma leitura que se pode fazer em dez ou quinze segundos.

5) Talvez você diga: “Contemplar assim, não vai distrair a atenção das palavras da Ave-Maria?». Pode ser, mas, então, bendita distração. Nossa Senhora nada quer tanto como levar-nos até Jesus. Neste caso, as Ave-Marias ficarão sendo como uma música de fundo,que, mesmo rezadas meio-distraídos, agradarão muito à nossa Mãe. Mas também é importante aprender a rezar bem as Ave-Marias. Vou deixar a explicação disso para a segunda parte desta meditação (II. Diálogo com Nossa Senhora).

1 Nestas meditações, usaremos Terço (com maiúscula) para referir-nos à oração, à devoção do Rosário; e terço (com minúscula, para referir-nos ao tercinho material que se utiliza para contar as Ave-Marias, etc.

Fonte: (Pe. Faus)

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