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Matéria de capa › 08/10/2018

Nossa Senhora Aparecida do Ipiranga

A celebração de Nossa Senhora Aparecida, neste ano, acontece dentro do clima eleitoral e se apresenta como ocasião propícia para recorrermos com fé à Padroeira do Brasil com uma súplica intensa: “Ó velai por nossa Pátria, Virgem Mãe Aparecida!” À sua intercessão, confiamos os anseios, angústias, temores e necessidades de todos os filhos desta Nação a ela devotada.

“Velai, ó Mãe Aparecida, pela dignidade e a liberdade de todos os brasileiros, pela preservação do respeito, a justiça, a fraternidade e a solidariedade! Não nos deixeis cair no abismo do ódio e da violência! Virgem Aparecida, mostrai-nos os caminhos da reconciliação, do perdão e da misericórdia! Mostrai-nos sempre de novo vosso Filho Jesus, o bendito fruto do vosso ventre e Redentor da humanidade!”

Em 2017, encerrando o Ano Mariano Nacional, erigimos em Santuário arquidiocesano a igreja paroquial de Nossa Senhora Aparecida, da rua Labatut, no Ipiranga. Para São Paulo, o Santuário é mais um lugar para o especial encontro com a Virgem Mãe Aparecida; e já se vai intensificando o afluxo de peregrinos, especialmente na Novena preparatória para o dia 12 de outubro. Cresce a afluência de pessoas que participam das numerosas celebrações e procissões, com o desejo de sentir a proximidade da “Mãe de Deus e Nossa” e de lhe dizer uma prece, mesmo que seja apenas com o olhar cheio de emoção.

A igreja da rua Labatut possui uma história bem interessante, que merece ser recordada sempre. Preparava-se o Congresso Eucarístico Nacional de 1942, em São Paulo. Dom José Gaspar d’Affonseca e Silva era o Arcebispo e encontrava fortes resistências na preparação do Congresso, pois o clima político era adverso e também havia profundo desalento no interior da Igreja. Dom José punha muita fé nos frutos que o Congresso haveria de trazer e fez trazer uma imagem de Nossa Senhora Aparecida a São Paulo. A ela consagrou com devoção a realização do Congresso que, no final das contas, tornou-se um evento religioso de sucesso estrondoso, com grande participação de povo e de autoridades, e com a recuperação da confiança no interior da própria Igreja paulistana.

Terminado o Congresso, Dom José fez erguer a igreja da rua Labatut, no Ipiranga, e para lá fez levar em grandiosa procissão a imagem de Nossa Senhora Aparecida trazida para o Congresso. O belo e amplo templo, de estilo gótico, retrata cenas daquele Congresso Eucarístico Nacional e a devoção do povo paulistano a Nossa Senhora Aparecida. Ele é um eloquente testemunho da fé e da generosidade dos paulistas, que se mantiveram fiéis à fé católica, apesar das turbulências daquela época da nossa história. Nunca é demais lembrar que tudo isso aconteceu enquanto o Brasil vivia profundas crises políticas e sociais e enquanto a segunda guerra mundial envolvia numerosas nações num conflito fratricida e sangrento, motivado por regimes totalitários, e que envolveu também o próprio Brasil.

Será impróprio fazer um paralelo entre as circunstâncias de 1942 e as de 2018? Os tempos e os humores são, certamente, bastante diversos, mas não deixam de existir algumas semelhanças. Vivemos um clima de turbulências políticas no Brasil, enquanto estamos em meio a um processo eleitoral ainda indefinido, mas fortemente polarizado. Como nunca antes, o povo brasileiro, geralmente pacífico e fraterno, está sendo levado a manifestações extremistas, marcadas por intolerâncias e ódio. Arriscamos perder conquistas importantes da nossa Democracia, ainda adolescente, interrompendo um processo de lento amadurecimento das instituições democráticas do País. Ideologias radicais de direita e de esquerda podem levar a radicalismos perigosos para a paz social. Deus não o permita.

Ao celebrarmos Nossa Senhora Aparecida, neste ano, supliquemos com confiança à Padroeira do Brasil pelas necessidades e angústias de todos os seus filhos e filhas. Recomendemos à sua intercessão as autoridades constituídas, para que governem com justiça, e todos os cidadãos, para que vivam em concórdia, respeito fraterno e paz. A ela recomendemos aqueles que forem consagrados nas urnas para governar, administrar e legislar em favor do bem comum. Dela, ouçamos todos novamente as palavras de recomendação maternal: “fazei tudo o que Jesus vos disser!” (cf. Jo 2,5).

E não deixemos de recomendar à sua intercessão especial a nossa Igreja, em São Paulo, que realiza seu sínodo arquidiocesano com o propósito de fazer um “caminho de comunhão, conversão e renovação missionária”. Que possamos, de maneira mais decidida e alegre, testemunhar que “Deus habita esta Cidade” e que isso é bom para a nossa imensa Metrópole!