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Notícias da paróquia › 24/12/2014

Natal: festa e presentes

van_hornthorst_adoration_children_800x583Natal é tempo de presentes. Muitos presentes! Será que já nos perguntamos sobre o motivo e o significado deste gesto feito no Natal? Para os cristãos, o motivo vem da sua fé: Deus deu-nos um presente de valor inestimável; estamos muito felizes e manifestamos aos outros nossa alegria através dos votos e mensagens, dos presentes e também dos gestos de solidariedade e caridade: os pobres e os que sofrem são os primeiros destinatários da alegria do Natal.

De fato, os presentes já aparecem na cena do primeiro Natal da história. Os “reis magos” ofereceram ao menino Jesus seus dons, muito simbólicos: ouro, incenso e mirra. São a expressão da sua homenagem ao supremo Deus, ao grande Rei e ao Salvador. Porém, antes de desembrulharem os presentes, eles manifestaram sua fé: prostraram-se diante do menino Jesus e o adoraram (cf Mt 2,11).

Sem esta percepção da fé em relação ao que se celebra no Natal, o presente perde seu significado simbólico, chama sobre si toda a atenção e torna-se o grande homenageado, ele mesmo.

Na Liturgia do Natal há uma verdadeira pérola, que dá o sentido dos presentes oferecidos nesta festa: “ó Deus, acolhei a oferenda da festa de hoje, na qual o céu e a terra trocam os seus dons, e dai-nos participar da divindade daquele que uniu a si a nossa humanidade”. Deus nos dá de presente o que tem de melhor: vindo a nós, entrega a si mesmo; e a terra também oferece o que tem de melhor, embora muito mais simples: a nossa humanidade. Não fica mais pobre o Criador, mas nós ficamos infinitamente enriquecidos!

Presenteamos no Natal porque fomos muito presenteados e queremos que outros participem da nossa alegria! Nosso gesto será tanto mais significativo, quanto mais tivermos feito, antes, a experiência do encontro com Aquele, que o céu nos presenteou. Assim fizeram os “magos do Oriente” e os pastores de Belém: saíram da manjedoura “louvando e glorificando a Deus por tudo o que tinham visto e ouvido” (cf Lc 2,20).

O gesto de presentear no Natal perdeu muito de sua beleza e ficou envolvido numa trama comercial e de conveniências sociais. Há quem detesta enfrentar, todos os anos, a correria das compras de presentes. Por que precisam ser sempre mais interessantes que os do ano anterior? Visto desse modo, de fato, o presente de Natal torna-se motivo de um verdadeiro stress…

A própria festa do Natal vai sendo desvinculada sempre mais do seu significado originário; muitos festejos natalinos acontecem e o nome de Jesus nem aparece; até a palavra “Natal” é omitida e os votos de “feliz Natal” são substituídos por um genérico “boas festas”! Presépios em praça pública desapareceram; na França já foram proibidos. Há quem alegue que é por respeito ao “Estado laico”: argumento pobre, desfocado e preconceituoso em relação à cultura popular, de tradição secular. Desvincular a festa do Natal da sua referência a Jesus Cristo seria intelectualmente desonesto e discriminatório.

No Natal, os cristãos comemoram o nascimento de Jesus Cristo, em quem reconhecem o Filho de Deus, Salvador, o fundador do Cristianismo. Não há por que ocultar ou camuflar o motivo da festa! E convidam todos a se alegrarem com eles, conforme as palavras do anjo mensageiro, no nascimento de Jesus: “eu vos anuncio uma grande alegria, que será alegria também para todo o povo” (cf Lc 2,10). Celebremos, pois, a festa! Também com presentinhos…

Artigo publicado no Site da Arquidiocese de São Paulo em 23 de dezembro de 2014

Cardeal Odilo Pedro Scherer
Arcebispo de São Paulo