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Notícias da paróquia › 05/12/2014

Leia o texto completo da palestra “O Sínodo por Dentro”

papa_sinodo_familiaA Paróquia Nossa Senhora do Brasil está realizando um conjunto de palestras refletindo sobre o Sínodo da Família (clique aqui para saber mais). Confira o texto da primeira palestra, apresentado pelo Pe. Michelino Roberto:

O que realmente foi dito durante a III Assembleia dos Bispo em Roma 

O relatório preliminar do da III Assembleia geral extraordinária do Sínodo dos Bispos, divulgado pela Sala de Imprensa do Vaticano em 11 de Outubro, gerou dúvidas, especulações e perplexidades dentro e fora da Igreja. Matérias publicadas em diversos meios trataram o que era apenas um instrumento de trabalho e rascunho de relatório sobre o quanto foi dito, como documento conclusivo do Sínodo além de oferecerem a falsa impressão de que as questões relacionadas a admissão à comunhão dos “divorciados recasados” e as uniões civis entre pessoas do mesmo sexo estiveram no  centro dos debates dos padres sinodais.

Em 18 de Outubro, foi divulgado o relatório editado e com modificações realizadas nos trabalhos dos círculos menores e que agora, servirá de instrumento de trabalho para ser discutido e refletido em todas as dioceses e conferências episcopais do mundo, até outubro de 2015, quando ocorrerá a XIV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, em Roma,  com o tema “Jesus Cristo revela o mistério e a vocação da família”, dando continuidade ao que ficou conhecido como “O Sínodo da família”.

O São Paulo publicará em três edições, os principais trechos do Relatório do Sínodo da III Assembleia Geral dos Bispos , seguido de comentário do Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo e Padre Sinodal.

Nesta edição, trazemos trechos da primeira parte do relatório intitulado “A escuta: o contexto e os desafios sobre a família” em que o relatório captura o diagnóstico dos principais problemas que afetam a família. A subdivisão temática é de autoria da redação e coloca em evidência os assuntos tratados, seguido da citação de trechos do relatório. 

Relatio Synodi da III Assembleia geral extraordinária dos Bispos: “Os desafios pastorais sobre a família no contexto da evangelização”. 

 

I PARTE 

A escuta: o contexto e os desafios sobre a família 

 

Contexto sócio cultural

 

 Individualismo e crise de fé

“ É preciso considerar o crescente perigo representado por um individualismo exasperado que desvirtua as relações familiares e termina por considerar cada componente da família como uma ilha, fazendo prevalecer, em certos casos, a ideia de um sujeito que se constrói segundo os próprios desejos assumidos como um absoluto. A este fator, junta-se a crise de fé que afetou tantos católicos e que frequentemente, está na raiz da crise dos matrimônios e da família” (N.5) 

 

 Solidão, falta de emprego e impostos altos 

Uma das maiores pobrezas da cultura atual é solidão, fruto da ausência de Deus na vida das pessoas e das fragilidades das relações” ( N. 6)

“Existe uma sensação geral de impotência em relação à realidade socioeconômica que, muitas vezes, termina por esmagaras famílias. Assim é com a crescente pobreza e precariedade trabalhista vividos como um pesadelo, ou por razão de impostos muito pesados que certamente não encorajam os jovens ao matrimônio” (N.6)

“Frequentemente as famílias se sentem abandonadas pelo desinteresse ou pouca atenção por parte das instituições. As consequências negativas do ponto de vista da organização social são evidentes: da crise demográfica às dificuldades educativas, do desânimo em acolher a vida nascente à sentir a presença de idosos como um fardo, até a propagação de uma deságio  afetivo que termina em violência”.  (N. 6)

“É responsabilidade do Estado criar as condições legislativas e de trabalho para garantir o futuro dos jovens a ajuda-los a realizar o seu projeto de fundar uma família”.   (N. 6) 

 

Poligamia, matrimônios combinados, matrimônios mistos e de disparidade de culto.

“Existem contextos culturais e religiosos que impõem desafios particulares. Em algumas sociedades existem ainda a prática da poligamia e em alguns contextos tradicionais o costume do “matrimônio por etapas”. Em outros contextos permanece a prática dos matrimônios combinados. Nos países em que a presença da Igreja católica é minoritária são numerosos os matrimônios mistos e de disparidade de culto com todas as dificuldades que comportam no que diz respeito à ordem jurídica, ao batismo e à educação dos filhos e ao respeito recíproco do ponto de vista da diversidade da fé.  Nesses matrimônios pode existir o perigo do relativismo ou da indiferença, mas podem ser também a possibilidade de favorecer o espírito ecumênico e o diálogo interreligioso”. (N.7)

 

 Crianças em novos contextos familiares 

“Muitas são as crianças que nascem fora do matrimônio(…) e muitas são aquelas que crescem com apenas um dos pais ou em um contexto familiar alargado ou reconstituído. O número de divórcios é crescente e não é raro o caso de escolhas determinadas unicamente por fatores de ordem econômica. As crianças, muitas vezes, são objetos de disputa entre os pais e os filhos são as verdadeiras vítimas das dilacerações familiares”.

“Os pais são muitas vezes ausentes não só por razões econômicas lá aonde ao invés, se percebe a necessidade que esses assumam mais claramente a responsabilidade pelos filhos e pela família”. (n.8)

 

 A dignidade da mulher 

“A dignidade da mulher tem ainda necessidade de ser defendida e promovida. Hoje de fato, em muitos contextos, o ser mulher é objeto de discriminação e o dom da maternidade é mais penalizado do que apresentado como um  valor. Não se pode esquecer os crescentes fenômenos de violência das quais as mulheres são vítimas, infelizmente mesmo ao interno da família e a grave e difundida mutilação genital da mulher em algumas culturas. (n. 8)

 

 Exploração sexual infantil 

A exploração sexual da infância constitui pois uma das realidades mais escandalosas e perversas da sociedade atual”.  (N.8)

 

 Violência: guerras, terrorismo e crime organizado 

Também as sociedades afligidas pela violência a causa  da guerra, do terrorismo ou da presença do crime organizado veem situações familiares deterioradas sobretudo nas grandes metrópoles e em suas periferias crescem o fenômeno das crianças de rua”(N. 8)

 

 

A Relevância da vida afetiva

 

Maturidade emocional e desenvolvimento afetivo 

“O perigo individualista e o risco de viver em chave egoísta são relevantes. O desafio da Igreja é de ajudar os casais na maturação da dimensão emocional e no desenvolvimento afetivo através da promoção do diálogo, das virtudes e da confiança no amor misericordioso de Deus. O compromisso pleno exigido no matrimônio cristão pode ser um forte antídoto à tentação de um individualismo egoísta” (n. 9)

 

 Afetividade narcisista, instável e volúvel 

“No mundo atual não faltam tendências culturais que parecem impor uma afetividade sem limites da qual se deseja explorar todas as vertentes, até mesmoo aquelas mais complexas. De fato, a questão da fragilidade afetiva é de grande atualidade: uma afetividade narcisista, instável e mutável que não ajuda as pessoas a atingir uma maior maturidade”. (n 10)

 

 Pornografia e internet 

“Preocupa uma certa difusão da pornografia e da comercialização do corpo, favorecida pelo uso distorcido da internet e seja denunciada a situação daquelas pessoas que são obrigadas a praticar a prostituição. Neste contexto, os casais são tal mente inseguros, existentes e custam a encontrar modos para crescer. Muitos são os que tendem a permanecer nos estágios primários da vida emocional e sexual.” (n.10)

 

 

O desafio pastoral

 

Repropor os valores do matrimônio 

A Igreja percebe a necessidade de dizer uma palavra de verdade e de esperança. É necessário mover-se a partir da convicção que o homem vem de Deus e que, portanto, uma reflexão capaz de repropor as grandes questões sobre o significado de ser humano, possa encontrar um terreno fértil nas esperanças mais profundas da humanidade. Os grandes valores do matrimônio e da família cristã correspondem à busca que perpassa a existência humana mesmo em um tempo marcado pelo individualismo e pelo hedonismo.”(n. 11)