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Artigos, Editorial, Notícias › 22/06/2017

Iniciamos o sínodo da Arquidiocese

Na solenidade de Corpus Christi, dia 15 de junho passado, iniciamos oficialmente o caminho do sínodo arquidiocesano. Na verdade, já havíamos começado esse caminho há mais de um ano, com diversos trabalhos e momentos preliminares, a consulta a diversos grupos representativos do clero e dos leigos e o discernimento sobre a oportunidade de fazer um sínodo arquidiocesano.

O anúncio oficial e a convocação de toda a Arquidiocese para fazer o caminho sinodal aconteceram em momento altamente simbólico para a vida da Igreja e para a nossa fé: reunidos em torno do altar para a celebração da Eucaristia, na Praça da Sé, e fazendo a procissão de Corpus Christi pelas ruas da nossa Cidade. Fomos todos chamados a fazer o sínodo como “caminho de comunhão, conversão e renovação missionária”, lembrados de que “Deus habita esta Cidade” e que nós recebemos a missão de ser suas testemunhas.

Na celebração da Eucaristia, temos uma imagem altamente expressiva da Igreja: somos os discípulos missionários de Jesus Cristo, convocados pela palavra de Deus, fazendo a memória de Jesus Cristo, reunidos com Ele em torno da mesa da sua Ceia pascal, sendo por Ele nutridos e enviados novamente em missão para em meio às nossas ocupações quotidianas. “A Igreja faz a Eucaristia”; mas, na verdade, “é a Eucaristia que faz a Igreja”. A Eucaristia é a “epifania da Igreja”.

Levamos o Santíssimo Sacramento pelas ruas e praças de São Paulo e quisemos, com isso, lembrar que a vida e a ação da Igreja não se restringe àquilo que acontece nas celebrações, dentro dos templos sagrados. Quisemos pro- clamar a todos os habitantes desta Metrópole: “Deus está aqui! Ele está no meio de nós!” Não estamos sós no mundo e no meio das angústias e desafios da vida pessoal e social. Ele nos envia para sermos as testemunhas dessa Boa Nova para todos, muito especialmente para os pobres, os doentes e todos os que vivem nas “periferias existenciais”. A procissão eucarística nos lembra de que somos uma “Igreja em saída missionária”, enviada a todos sem distinção, mesmo àqueles que se mantêm distantes, não escutam ou até rejeitam o Evangelho.

Iniciamos o sínodo, que deverá ocupar-se da vida e da missão da Igreja em nossa Arquidiocese, com os objetivos de conhecer melhor a realidade da nossa Igreja a partir das suas bases; refletir sobre essa realidade e avaliar nossa ação evangelizadora e pastoral; buscar caminhos adequados para aprofundar a comunhão eclesial e promover a conversão e a renovação missionária em nossa Igreja particular.

Partimos da lembrança de que a Igreja precisa partir sempre de novo de Jesus Cristo, para realizar sua vida e sua ação “in meam commemorationem” – em memória dele e do mandato missionário recebido dele: “proclamai o Evangelho a toda criatura!” (Mc 16,15). Os primeiros passos do sínodo, e todo o seu percurso, continuam com a invocação fervorosa do Espírito Santo, o Espírito de Cristo, que conduz a Igreja e a renova sempre na fidelidade a Jesus Cristo e à missão recebida dele. O sínodo inteiro deverá significar uma escuta atenta da Palavra de Deus e da Igreja, daquilo que o Espírito diz à Igreja” (cf. Ap 2-3). Sem a atenção sincera à voz do Espírito Santo, que se faz ouvir de diversos modos, o sínodo não poderia produzir frutos bons e duradouros.

Ao longo dos meses restantes de 2017, além da oração ao Espírito Santo, também será feita a di- fusão do sínodo em toda a nossa grande Arquidiocese, junto com os esclarecimentos sobre o caminho sinodal e a motivação para a participação de todos, em ações e níveis de responsabilidade diversos. Durante este primeiro período, trabalharão muito a Comissão de Coordenação Geral e a Secretaria Geral do sínodo. Além de “pensar o sínodo” e de coordenar os diversos momentos sinodais, a Comissão deverá prover à definição e elaboração dos subsídios necessários à realização de cada etapa do sínodo. Subsídio fundamental será o Regulamento do sínodo. A Secretaria geral terá um papel importante nos diversos encaminhamentos do trabalho sinodal.

As etapas do sínodo nas paróquias (2018) e nas Regiões e Vicariatos Episcopais deverão confluir para o momento decisivo do sínodo, que será a assembleia sinodal arquidiocesana (2020). Esta terá a missão de refletir sobre toda a realidade pastoral da Arquidiocese, a partir dos elementos recolhidos nas etapas anteriores. Da assembleia sinodal, espera-se que sejam elaboradas as indicações e propostas do sínodo para toda a Arquidiocese.

Cardeal Odilo Pedro Scherer
Arcebispo metropolitano de São Paulo