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Notícias da paróquia › 15/03/2016

Firmes na Fé e na Esperança

O tempo litúrgico da Quaresma está voltado para a Páscoa. Durante 40 dias, a Igreja nos convida a fazermos uma grande avaliação de nossa vida cristã, como discípulos de Jesus Cristo e, na Páscoa, renovamos nossas promessas batismais e a profissão da fé eclesial.

Neste “tempo favorável”, a Igreja, mãe e mestra, nos coloca diante das escolhas fundamentais e também diante dos grandes valores e referências da vida cristã. É tempo de aprofundar nossa fé, de corrigir e reorientar, se for preciso, de reencontrar as grandes motivações da nossa fé cristã.

O convite da Quarta-feira de Cinzas – “convertei-vos e crede no Evangelho” – nos acompanha durante a Quaresma inteira e nos recorda que a Boa Nova do reino de Deus, anunciado e trazido ao meio dos homens por Jesus, deve ser a grande referência de nossa vida. Poderiam existir outros atrativos, que chamam a nossa atenção; na prática, de fato, nosso olhar e nossa conduta se deixam seduzir por outros apelos, que nos são apresentados ao longo do ano e ao longo da vida.

O Evangelho “das tentações de Jesus”, lido no primeiro domingo da Quaresma, nos coloca diante desta realidade: o maligno tentou Jesus e quis desviá-lo de Deus, até mesmo apresentando-se como alternativa, ele próprio, em lugar de Deus: “tudo isso te darei, se te prostrares diante de mim e me adorares” (cf Lc 4,6). Se o demônio tentou  Jesus, quanto mais a nós! Por isso, a vigilância e o olhar constante voltado (“convertido”) ao reino de Deus são remédio contra a tentação e a desorientação na nossa vida.

No segundo domingo da Quaresma, a Liturgia nos coloca diante da transfiguração de Jesus sobre o monte (cf Lc 9, 28-36). Trata-se de mais um momento crucial na vida de Jesus e dos discípulos. Jesus está a caminho de Jerusalém, o lugar da prisão, da condenação à morte, da tortura e da morte na cruz. Mas também da ressurreição. Jesus, transfigurado em glória, fala com Moisés e Elias sobre o que vai acontecer em Jerusalém: é um momento de angústia, mas a visão da sua glória e a voz de Deus Pai – “é meu filho; ouvi-o todos!” – lhe dá forças e também aos discípulos.

Pedro já quer ficar “na glória”: Mestre, é bom estarmos aqui! Fiquemos aqui mesmo… (cf Lc 9,36). Mas Jesus, passado o momento de glória, convida os discípulos a seguirem atrás dele na direção de Jerusalém: a cruz está no caminho da glória e não dá para chegar a ela desviando da cruz e sem passar por ela. Jesus convida a tomar a cruz e seguir atrás dele; e quem não fizer isso, vai perder a sua vida (cf Lc 17,33). Mas quem o fizer, ganhará a vida, pois o sentido da nossa vida está na sintonia e comunhão com Deus. Quem não quiser abraçar as cruzes que decorrem da nossa adesão a Deus e do seguimento de Jesus, acaba ficando sem Deus e sem a salvação trazida por Jesus Cristo, mediante a sua total fidelidade a Deus.

No fundo, o que está em jogo é a questão da perseverança cristã: a Quaresma nos recorda que esse é um ponto crucial no caminho da nossa fé. Somos tentados a tomar o caminho mais fácil, a ficar longe da cruz que decorre da coerência com os mandamentos de Deus e dos nossos compromissos batismais. Somos tentados ao imediatismo e a querer vantagens e frutos instantâneos decorrentes da fé. E somos tentados a perder a confiança nas promessas de Deus, ao desânimo e ao abandono de Deus.

Eis, pois, a recomendação da Quaresma: permanecer firmes na fé e na vida cristã, no seguimento de Jesus. Não basta ter começado bem; é preciso perseverar, continuar, ter paciência, sem se assustar com as cruzes. Vida cristã sem cruz é vida sem Jesus, pois ele sempre vem ao nosso encontro com a cruz; mas também com a promessa de vida plena e da participação na sua glória.

Na oração do segundo domingo da Quaresma, pedimos a “purificação do olhar da nossa fé”, mediante a escuta atenta da palavra do “Filho muito amado”. Só assim, seremos capazes de nos alegrar, na esperança, com as promessas de Deus. Vida cristã é um caminho “na esperança”, inteiramente confiados na fidelidade de Deus às suas promessas.

Publicado no jornal O SÃO PAULO – Edição 3090 – 24 de fevereiro a 1º de março de 2016