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Notícias da paróquia › 24/03/2011

Estudo sobre a Quaresma: Batismo

Ensino organizado pelo Grupo de Oração Espírito Santo, baseado na lectio divina feita pelo Papa para a Quaresma 2011

O Papa Bento XVI nos pede nesta quaresma que façamos a meditação do nosso Batismo. Ele nos recorda da preciosidade deste tempo litúrgico, onde toda a Comunidade  se torna assídua na oração, mais caridosa e intensifica o caminho de purificação pessoal para se apresentar-se ao Ressuscitado como esposa pura. (olha o que ele diz! Apresentar-se na Páscoa como esposa pura!!)

É um tempo maravilhoso de misericórdia, onde o amor de Deus é derramado sem medidas sobre todos os que se entregam a esta purificação. A Quaresma “é um dom precioso de Deus, é um tempo forte e denso de significados no caminho da Igreja, é o itinerário para a Páscoa do Senhor”.

A Quaresma “é um caminho de quarenta dias para se viver de modo eficaz o amor misericordioso de Deus”, “sempre conscientes de não poder realizar nossa conversão sozinhos, com nossas forças, porque é Deus quem nos converte”.

E foi justamente no nosso Batismo que esta graça já nos foi dada. O Batismo é o dom da vida por excelência! Assim como nascemos para este mundo, no Batismo nascemos para a vida de Filhos de Deus, para viver eternamente. Somos da família de Deus!

É no Batismo de Jesus que podemos entender o mistério do nosso Batismo. A Trindade se manifesta, os céus se abrem e aqui está o dom: vem do céu!!

O céu é a própria essência divina  que se manifesta a nós!!!! Naquele exato momento, quando o padre derrama a água por três vezes sobre nossa cabeça, dizendo Eu te batizo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, que os céus se abrem!

A eternidade se abre a nós! Deus se manifesta e O pai olha para você e diz: “Tu, (coloca seu nome), és minha filha muito amada; em ti pus todo o meu enlevo, o meu amor!”(Lc3,21-22)

E o que é todo o Meu amor? Todo meu Espírito! E o que Deus é? Deus é Espírito Puríssimo, portanto em você eu coloco toda a minha divindade! Como aconteceu com Adão e Eva na criação!

O Batismo é a porta de entrada para nascer para a família de Deus! É pelo Batismo que ganhamos o direito de nascer para a eternidade e participar da Igreja e das graças que Jesus ganhou para nós com sua morte e ressurreição.

Adão e Eva, nossos primeiros pais perderam a Graça sobrenatural (dons preternaturais) que tinham recebido na Criação.  Negaram sua própria humanidade, quiseram ser como deuses e assim  perderam o que de mais belo tinham: a Graça de serem filhos de Deus, de se entreterem com Ele, de andarem com ele e de receberem todo o amor divino.

No nosso Batismo recuperamos esta Graça. Somos mergulhados no amor do Pai Criador, no amor do Filho Redentor e no amor do Espírito Santo santificador. É como se morrêssemos e ressuscitássemos com Cristo para uma vida feliz, maravilhosamente feliz. Somos encharcados deste amor divino. Recuperamos parte da Graça perdida no Paraíso.

Imagina um balde cheio d´agua. Imagina uma toalha que vc põe dentro dele e tira. Como sai esta toalha? Sai encharcada! É isto que acontece conosco no Batismo. E porque eu estou falando no presente? acontece e não aconteceu, sou encharcada e não fui encharcada etc

Porque o Batismo não é estático, não foi um ato que aconteceu lá quando eu era pequena, mas foi uma entrada para uma vida divina que se renova a cada dia. Naquele dia fui mergulhada naquele amor de Deus e só vou estar totalmente encharcada quando entrar no céu. Por isso nosso Batismo deve crescer A CADA DIA E A QUARESMA É O TEMPO IDEAL PARA DAR UM ESTIRÃO.

Disse o Papa nesta semana que o Batismo não produz automaticamente uma vida coerente em cada um de nós, porque para que o nosso Batismo se torne eficaz, devemos pelo nosso livre consentimento, pelo nosso compromisso perseverante colaborar com o dom que Deus nos dá.

Todo dom é assim: Deus dá, mas ele só desenvolve se eu quiser e se eu deixar. Tem gente que acha que o dom recebido opera magicamente a santidade em nós. Mas Deus não invade nossa liberdade. Ele é muito delicado e bom; Ele só confirma o que você aceita.

São Paulo entendeu perfeitamente o dom quando disse: “Eu Paulo, prisioneiro que sou pela causa do Senhor, exorto-vos que leveis uma vida digna da vocação a qual fostes chamados, com humildade, a amabilidade, e com a grandeza de alma, suportando-vos mutuamente com caridade.”

Seguir a Cristo significa compartilhar da sua Paixão, da sua Cruz e segui-lo até o fim para com Ele ressuscitar.

O que significa “chamado”, vocação”? São Paulo escreve: “comportai-vos de uma maneira digna do chamado que tendes recebido” Que chamado, que vocação que você recebeu no Batismo?

A vocação de todo o cristão, a vocação Batismal que significa: Ser de Cristo e viver com Ele no seu corpo que é a Igreja.

Portanto o sacramento do Batismo é uma entrada profunda no Pai, no Filho e no Espírito Santo, para participarmos da vida Deles, da amizade deles, da natureza Deles, da Graça divina Deles.

São Paulo compara tudo isso com o corpo: Cristo é a cabeça e nós os Batizados somos o corpo, portanto somos um com Cristo, porque o corpo não se separa da cabeça. Se eu olhar para vc, direi lá vem fulana, não direi: Lá vem o braço dela, ou o pé dela, mas vejo o todo.

Lembram-se quando Jesus foi Batizado? Lá no Evangelho de João diz que no dia seguinte Ele ia passando quando percebeu que André e João  o seguiam e disse “vinde e vede”. A vocação cristã começa assim, com um chamado: vem comigo, vem ver… e exige uma resposta até o fim. Exige uma resposta de seguir o Cristo e de viver como Ele vive.

Maria é o exemplo do seguir Jesus. Ela que já nasceu “cheia de graça!” Que não precisou ser batizada porque não tinha o pecado original e já era cheia do Espírito Santo. No entanto por nós mergulhou na paixão do Filho, sofreu por nós, nos perdoou e nos aceitou como filhos muito amados. Ela é o modelo do corpo perfeito de cristo. È o modelo da Igreja.

Mas devemos perceber que o chamado não ficou só nas pessoas do passado ou só nos santos, mas o chamado é para cada um de nós. E Deus chama cada um de nós pelo nome. Ele é tão grande que me conhece pelo nome, tem tempo para mim, para passear comigo no jardim do Paraíso da minha oração pessoal. Ele me conhece, conhece–me pelo meu nome, pessoalmente.

Ele tem chamado pessoal para mim. O Papa diz que devemos meditar nisto todos os dias: Deus, o Senhor, chamou-me, chama-me, conhece-me, espera minha resposta como esperava a resposta de Maria, a resposta dos Apóstolos, dos santos.

Deus chama-me e só por este fato eu deveria me tornar atenta a Sua voz e à Sua palavra, ao seu chamado para mim, para que eu responda e realize a minha parte na história da salvação. A parte para a qual Ele me chamou.

Neste texto São Paulo nos ensina quatro gestos concretos para responder a este chamado de Deus para mim: são quatro Palavras: “humildade”,  “amabilidade”, “grandeza de alma”, “suportando-vos mutuamente com caridade”.

Vamos meditar nessas quatro disposições que o cristão deve seguir para corresponder ao chamado do Senhor no Batismo.

1-) “Humildade”: a palavra grega é “tapeinophosyne”, que é a mesma palavra que s Paulo usa na carta aos Filipenses quando fala que Cristo se fez “tapeinos”, rebaixou-se até se fazer criatura e obedecer até a morte de cruz. (Fil 2,7-8). Então humildade não é uma palavra qualquer, algum tipo de modéstia, ou de negação dos próprios dons, mas é uma palavra cristológica diz o Papa.

Devo imitar Deus que vem a mim, que é tão grande que e se faz meu amigo, sofre por mim, morre por mim. Devo imitar Cristo na obediência à vontade do Pai. Esta é a humildade que se deve aprender, a humildade de Deus. O fazer-se pequeno (descer do meu céuzinho particular, da minha zona de conforto, da minha vontade pessoal) e ir ao encontro do outro, o sofrer pelo outro, o dar a vida pelo outro.

Ser humilde é ser obediente como Cristo foi, é dizer: a Tua vontade e não a minha!

Esta é a humildade de Jesus. Se nesta quaresma tentarmos nos ver à luz de Deus, conhecer a grandeza de uma pessoa amada por Deus, especialmente os mais pecadores, e também perceber a minha condição de  pecadora, mas ao mesmo tempo, amada do Senhor, então estarei pronta a me comportar como serva do Senhor e dizer-lhe eis-me aqui, faça em mim……

2-) “amabilidade ou docilidade”. No grego a palavra é “praütes” que é a mesma que aparece nas Bem aventuranças:” bem aventurados os mansos, porque possuirão a terra” (Mt5,5) Também ela aparece no livro dos números quando encontramos a afirmação que “Moisés era o homem mais manso (paciente) do mundo” (Num 12,3). Ele já era uma prefiguração de Jesus que “é manso e humilde de coração” (Mt11,29). Portanto esta palavra “amável, manso, paciente, também é uma palavra cristológica e implica em imitar a Cristo.

Se no Batismo somos configurados a Cristo devemos encontrar este espírito de mansidão, de amabilidade, de paciência. (controlar meus impulsos)

3-) “Grandeza de alma” ou “magnanimidade”: quer dizer generosidade de coração, não sermos minimalistas (esta palavra está na moda) que dão somente aquilo que é necessário. Não mexo uma palha além daquilo que acho que é minha obrigação ou que desejo. Ser grande de alma é dar-se a si mesmo sem economia.

Dar até doer, dar até mesmo contra minha vontade rancorosa, entregar-me se necessário no lugar do outro, sofrer as injustiças deste mundo sem jogar a culpa nos outros, sofrer perseguições sabendo que está fazendo isso por Cristo. É pegar sua cruz a cada dia e seguí-Lo.

É a generosidade de acolher uma pessoa que está necessitada, acolher uma pessoa problemática que ninguém quer receber, e também é perdoar sem medidas.

4-) “suportando-vos mutuamente com caridade”: é uma missão de todo o dia, dar suporte aos outros. E também suportar as diferenças que temos entre nós. Suportar o defeito dos outros como Cristo suporta os nossos.

Levar a paz onde formos, mesmo que para isto seja necessário renunciar a mim mesma e a minha  vontade pessoal. Com amor e não virando a cara, reclamando ou emburrando.

Se com a Graça do Senhor eu estiver disposta a viver estas quatro “Palavras” nesta Quaresma com certeza poderei entender  qual é a minha vocação, meu chamado pessoal, muito especial por Deus.

Poderei mergulhar numa dimensão maior: o chamado a viver em comunidade! Viver na Igreja! As vezes pensamos que estamos vivemos em comunidade ou na Igreja, mas se não vivemos ao menos um pouquinho estas quatro palavras, na verdade estamos vivendo para nós mesmos, isolados e infelizes.

Somos então chamados a viver num só corpo e num só espírito, sermos um com Cristo como cabeça. Este é o vínculo da paz que Cristo nos pede: sermos um só coração, uma só alma uma só esperança! Paulo fala que é prisioneiro  pela causa do Senhor! Que eu possa ser também esta prisioneira, estar “em cadeias” ligada com os elos invisíveis da caridade aos irmãos e assim na força libertadora do amor.

Hoje, aqui, o nosso Grupo de Oração é a nossa comunidade, que é também o corpo no qual se realiza um caminho comum para todos nós. Aqui é relativamente fácil, mas depois sermos dóceis a ação do Espírito, possamos aceitar, suportar, animar as pessoas da minha casa, da minha amizade e da minha paróquia. Tanto as simpáticas como aquelas que não são tão simpáticas, tenho que me inserir neste corpo que é a Igreja.

As vezes tudo se torna difícil porque “aquele corpo” não nos apraz. Mas assim é que estaremos em comunhão com Cristo.

Mas se formos dóceis estaremos inseridos no corpo Dele, cumprindo nosso chamado batismal junto com amigos que temos no céu e em todas as partes do mundo: na Igreja de Cristo.

Seremos assim um só corpo e um só espírito.

Esta unidade não é imposta, mas é o fruto de comportar-se como Jesus na força do Espírito Santo em resposta ao chamado de amor do Pai.

Este é o vínculo da paz que Paulo nos fala e S João Crisóstomo nos diz: É belo este vínculo, com o qual nos ligamos uns aos outros e a Deus. Não é uma cadeia que fere, não há câimbras nas mãos, elas ficam livres, tem amplo espaço e uma coragem maior. São Paulo está prisioneiro pela causa do Senhor assim como Cristo se fez prisioneiro para nos libertar.

Para conservar esta unidade é necessário vivermos estas quatro palavras, é preciso entender que esta é a nossa vocação batismal, nosso chamado: sermos um:

“Há um só Senhor, uma só fé, um só Batismo. Um só Deus e Pai de todos que atua acima de todos, por todos e em todos.”

E o Papa ainda citando São João Crisóstomo  nos ensina como: “Ligai-vos aos vossos irmãos, aqueles tão unidos no amor a ponto de suportar tudo com facilidade.” Assim Deus nos quer, tão ligados uns aos outros, não só para estarmos em paz, não só para sermos amigos, mas para que sejamos todos um, uma só alma. Sejamos o Cristo Total.

“. Não jejua de verdade quem não sabe se nutrir da Palavra de Deus”, acrescentou.