Somos dos grupos de oração Sementes do Espírito e Espírito Santo, da Renovação Carismática. Ambos da paróquia Nossa Senhora do Brasil em São Paulo.
É como membros do corpo que é a Igreja de Cristo e movidos exclusivamente pelo espírito de amor fraterno que lhe endereçamos esta carta.
Nos causa bastante alegria quando veículos de comunicação abrem espaço para que pessoas de nossa Igreja possam se pronunciar abertamente, permitindo que a mensagem de Cristo possa atingir lares que tão raramente tem canal para a Boa Nova.
E não poderia ter sido em tempo melhor. Justamente neste período de Semana Santa, onde nos recordamos do martírio de Nosso Senhor Jesus Cristo, que por todos nós sofreu o escárnio e a condenação à morte, “e morte de cruz”.
Nas três páginas de sua entrevista, texto maior até que algumas das cartas apostólicas, contudo, não vimos nada que remetesse ao nosso Mestre e Senhor, ou que pudesse de alguma forma iluminar ou levar o anúncio do Evangelho à vida das pessoas.
Sobre Jesus, infelizmente, a única citação compara de maneira desproporcional o sofrimento de sua depressão à incomparável oração no Horto onde Jesus antevê, suando sangue, o calvário. O sofrimento solitário de um Deus que se entregará em corpo e alma, pagando pelo preço do seu sangue a redenção de toda a humanidade, diante de um cálice que nenhum de nós seria capaz de beber.
De uma forma geral, o que lemos nos causou muita preocupação com sua pessoa, como homem de fé e propagador da palavra de Cristo. Ali vimos sinais do espírito de rancor, vingança, e aquela que é a maior fragilidade de todos nós: o orgulho.
Em especial, alguns pontos nos tocaram com profundo incômodo por, na prática, estarem em desacordo com a doutrina de Cristo, que estamos todos empenhados não só em divulgar, mas viver:
Lhe escrevemos esta carta justamente no dia em que relembramos a instituição do sacerdócio, quando Jesus humilde, lava os pés dos servos e nos lembra que “o Filho do Homem está aqui para servir e não para ser servido.” O mesmo Jesus que foi expulso do templo e barrado nas cidades, tantas vezes. O Jesus que espancado e escarnecido na cruz pediu ao Pai “perdoai-os pois não sabem o que fazem”. O Jesus que nos pediu para oferecermos ao outra face e para que nossa mão direita não soubesse o que nossa mão esquerda está fazendo. Finalmente, o Jesus que, obediente, fez a vontade do Pai mesmo lhe custando a própria vida e que com tudo isso, “não disse uma palavra”.
Curiosamente, são exatamente estes fatos que nos lembramos nesta semana. E, apesar da oportunidade tão rara ter sido dada, infelizmente, não foi sobre essas coisas que os leitores leram. Que pena! Quantos corações poderiam ter sido tocados.
Para o público em geral isso tudo pode até ter passado despercebido. Acostumados com as banalidades e pessoas revestidas de orgulho próprio, viram o pronunciamento de um padre que, em termos gerais, em nada se diferencia da entrevista de um “big brother”.
Contudo, sabemos e entendemos que também o padre possui suas fraquezas, tentações e quedas. Lembremo-nos dos apóstolos. Também discutiram entre eles quem seria o maior. Também eles se acharam contemplados com dons especiais, quando repreenderam outros que expulsavam demônios sem serem discípulos de Jesus.
Em todos esses episódios, Jesus com espírito fraterno alertou-os:
Mateus 23
“Gostam dos primeiros lugares nos banquetes e das primeiras cadeiras nas sinagogas. Gostam de ser saudados nas praças públicas e de ser chamados rabi pelos homens. …Aquele que se exaltar será humilhado, e aquele que se humilhar será exaltado.”
É com este espírito fraterno que fazemos o mesmo. Afinal, “Se um membro sofre, todos os membros padecem com ele”.
Deus lhe deu dons e uma vocação. E a todos nós deu. “Há diversidade de dons, mas um só Espírito.”. Como imitadores de Cristo só nos interessa que mais pessoas conheçam a palavra de Deus conforme nos ordenou: “Ide e pregai o evangelho.”. Nesta missão, “que nosso sim seja sim, e nosso não seja não, pois o resto vem do demônio.”.
Não queira ser o servo maior que o Senhor.
Continuaremos a rezar pela sua preciosa vocação e pelo seu trabalho para que Deus aqueça em seu coração o fervor de servir a Jesus, sem esperar nada em troca. Somente pelo amor a Ele. Que Deus lhe conceda ainda a graça de guardar em seu coração uma frase de profunda inspiração, dita por outro que arrastava multidões: “É necessário que eu diminua, para que Ele cresça.”