Em 1940, Dom José de Afonseca e Silva, segundo Arcebispo de São Paulo, criou a paróquia do Jardim América, na cidade de São Paulo, e instituiu-se que Nossa Senhora do Brasil seria a Padroeira.
A construção da igreja matriz foi decidida em reunião no Banco Comercial do Estado de São Paulo. A comissão executiva era presidida pelo então deputado P. João Batista de Carvalho, tendo como secretário Emanuel Whitaker e como tesoureiro Alcides Vidigal. A comissão de honra era integrada por figuras ilustres como o Dr. Cásper Líbero, Nadir Figueiredo, Dr. Gabriel Monteiro da Silva e outros. A comissão de senhoras reunia figuras da alta sociedade como Adelina Lara Bueno, Ester Cardoso de Almeida, Luiza de Assunção Machado, Amélia Piza de Lara e outras.
A autoria do projeto inicial da igreja, em estilo colonial brasileiro modernizado, era de autoria do engenheiro George Przirembel, integrante da comissão de honra. Porém, o projeto que foi efetivamente executado é do arquiteto e professor Bruno Simões Magro, catedrático da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo.
As obras tiveram início em 1942, por iniciativa do vigário Monsenhor João Batista de Carvalho, que foi também deputado estadual e jornalista, em local cedido pela Prefeitura Municipal, numa área planejada para jardim pela Companhia City. Sua execução ficou a cargo da empresa Tavares Pinheiro S.A., sob direção do engenheiro Breno Tavares, e os trabalhos se prolongaram por quatorze anos, quando uma empresa especializada começou a belíssima decoração interna.
Antônio Paim Vieira, pintor e ceramista, definiu a decoração dos interiores. A identidade nacional foi característica marcante da temática e da técnica que empregou. É de sua autoria a pintura no teto da capela-mor que mostra o céu estrelado como no dia da Natividade de Maria, festa da Padroeira, celebrada no dia oito de novembro. Ao centro, a Virgem e o Menino estão cercados de representantes das diversas regiões brasileiras, vestidos com roupas típicas. Essa “brasilidade” da igreja, que está em seu nome e em sua arquitetura, foi bem notada pelo orador sacro Monsenhor Castro Nery, que, por ocasião da inauguração do templo, em 1958, disse as seguintes palavras: “Tu não és italiana, nem francesa, nem grega. És brasileira. Bem brasileira assim como teu moreno de cuia…”.
Num movimentado cruzamento da capital paulista, localizada num bairro com muito verde e bonitas casas, é difícil não notar a beleza da igreja, tanto de dia quanto de noite, quando a iluminação valoriza sua arquitetura. Por dentro, os vitrais, azulejos, painéis e esculturas completam a harmonia do conjunto.
A Via Sacra é retratada em azulejos azuis e brancos pintados quadro por quadro, de rara beleza.
Oito esculturas, moldadas em cimento com estrutura de ferro, ornamentam o tablado abrangido pelo semicírculo formado pelos dois pórticos frontais, à semelhança do Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo: há representações de São João Batista e Evangelista, Pedro e Paulo, Ana com Nossa Senhora Menina e José, Isabel e Joaquim. As esculturas são da autoria de professores da Faculdade de Belas Artes de São Paulo, como Galvez, Orleani e Júlio Guerra, sendo que a de São Pedro é doação de José Ermírio de Moraes.
No interior da igreja encontra-se a Capela da Ordem de Malta. A Ordem dos Cavaleiros de Malta, de origem medieval, passa a existir como ordem religiosa em 1113. Tratava de hospitais para cristãos peregrinos que iam à Terra Santa e defendia os lugares sagrados contra as incursões de muçulmanos.
Com a queda do último reduto na Terra Santa, a Ordem teve que deslocar-se para Chipre. Em 1310, os cavaleiros conquistaram Rodes. Tomada essa ilha pelos turcos, os cavaleiros receberam de Carlos V do Sacro Império Romano-Germânico a ilha de Malta e a tornaram sua sede, donde o nome “Cavaleiros de Malta”.
Hoje, a Ordem conserva com orgulho títulos e insígnias medievais, mas perdeu as finalidades militares. Desenvolve suas obras socioeducativas em mais de 50 países. Em São Paulo, a Ordem tem seu centro assistencial e creche na Rua Orlando Murgel, 161, Jardim Aeroporto.
A primeira capela do Santíssimo, no altar de São José, foi edificada pelo Padre Afonso de Moraes Passos, que também é responsável pela construção da fortíssima superestrutura de aço no teto, pela colocação do lindíssimo piso e pela edificação do altar policrômico das Virgens latino-americanas. Seu sucessor, o Cônego Leme, deslocou o altar do Santíssimo para onde se encontra hoje, edificando para tanto o altar voltado para o povo; também coube a ele a decoração de toda a igreja com azulejos de Paim.
O teto da igreja é decorado com reproduções de pinturas da Capela Sistina, no Vaticano, obras de extremo valor artístico e histórico.
A Capela Sistina data do ano de 1481 e possui obras de Michelangelo, entre outros grandes artistas. Após um trabalho que começou em 1979, a Capela Sistina se encontra hoje totalmente restaurada, apresentando seu esplendor original.